O homem moderno está despedaçado, fragmentado. Está-lhe vedada uma vida íntegra, qualquer que seja o país em que vive, a educ ação que rec ebe, a c lasse soc ial a que pertenc e. Ele observa c omo uma fatalidade esta frac tura, irremediável desde o princ ípio, se tiver c apac idade de reparar nela. O indivíduo e a c olec tividade afastaram-se c om o passar dos séc ulos, seguindo c aminhos divergentes, e c ontinuam por isso a afastar-se. Aquilo que a c olec tividade espera do indivíduo, pressupõe nele, é sempre diferente daquilo que ele desc obre em si próprio c omo autêntic o, original. E quem é alguma c oisa mais do que uma formiga, quem quer deixar atrás de si um vestígio durável entre as aparênc ias, o seu rastro de c ometa ou de c arac ol, ac aba reduzido a c ac os pelo mundo humano, não pela sua hostilidade, mas simplesmente pela sua estranheza, pelas suas regras, pelos seus c omportamentos, pelos seus hábitos. Na c olec tividade, já não ressoa, não refulge, a expressão do indivíduo, perdeu-se a harmonia do mundo antigo.
Giorgio Colli, Dopo Nietzsc he [alguns exc ertos]
Giorgio Colli, Dopo Nietzs
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