domingo, 27 de setembro de 2015

História de Angola

 
 
 
Em preparação para a esperada conferência de paz após a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou um departamento especial responsável pelo planejamento de informações de base que seriam usadas pelos delegados britânicos durante a conferência. Angola (incluindo Cabinda) é o Número 120 em uma série de mais de 160 estudos produzidos por este departamento, a maioria dos quais foi publicada após a conclusão da Conferência de Paz de Paris, em 1919.

Angola (atual República de Angola) era uma colônia portuguesa localizada na costa oeste da África, ocupada primeiramente pelos portugueses no final do século XV. Cabinda, parte de Angola, é um pequeno enclave separado do restante do país por uma faixa de território a norte do rio Congo e que pertencia ao Congo Belga (e que hoje faz parte da República Democrática do Congo), e dava ao Congo maior acesso ao mar. O livro contém seções sobre geografia política e física, história política, condições sociais e políticas, além de condições econômicas. A seção histórica abrange a primeira ocupação portuguesa, as relações entre o reino português e os reinos africanos de Angola e Congo, e a rivalidade comercial e imperial no século XVI entre portugueses e holandeses.

A concorrência entre essas potências europeias devia-se principalmente ao comércio de escravos no Atlântico, do qual a Angola teve grande sofrimento. O estudo registra as tentativas frustradas pelos portugueses no século XIX de construir um império transcontinental que se estendesse de Angola, a oeste, a Moçambique, a leste. A seção econômica destaca o grande potencial de riqueza agrícola da colônia, mas afirma: “Enquanto houvesse tráfico de escravos, o único produto angolano considerado merecedor de atenção do ponto de vista comercial era a mão de obra local...”  Angola foi um dos últimos países africanos a alcançar a independência, finalmente reconhecida por Portugal em novembro de 1975, depois de uma extensa e custosa guerra pela independência.
 
in Biblioteca Digital Mundial - Portugal                                   

 
 
 
 
 
 
 

domingo, 13 de setembro de 2015

A mentalidade anticapitalista de intelectuais inteligentes: o caso “líquido” de Bauman

Revista VEJA, Coluna de Rodrigo Constantino
 

 
Por que intelectuais inteligentes acabam defendendo o socialismo e atacando o capitalismo? Essa pergunta acompanha os pensadores liberais há tempo, pois desde Platão vemos essa tendência impressionante. George Stigler, Ludwig von Mises e Hayek foram alguns dos que tentaram explicar o fenômeno. Recomendo, em especial, A mentalidade anticapitalista, de Mises, assim como o paper de Hayek sobre o assunto.
 
Não é preciso aderir a alguma teoria conspiratória qualquer ou questionar a intenção do intelectual. Ele pode ter os mais nobres ideais, ser inteligente, e ainda assim atacar o capitalismo, o livre mercado, o lucro. Certa ignorância acerca do funcionamento do próprio mercado e da economia explica parte do problema, assim como um viés holístico idealizado daqueles que vivem no mundo das ideias.
 
Parece ser o caso de Zygmunt Bauman, o sociólogo polonês que interpreta o mundo moderno com base em sua “liquidez”. Em livro recentemente publicado no Brasil, ele ataca as desigualdades que o sistema capitalista produz, adotando a premissa falaciosa de riqueza como jogo de soma zero, em que João, para ficar rico, precisa tirar de Pedro.
 
Essa mentalidade marxista está na origem de inúmeros ataques infundados ao livre mercado, de gente que passa a focar apenas nas condições relativas entre indivíduos em vez de analisar o quadro absoluto ou então aquele relativo ao passado. Ou seja, o capitalismo produz muita riqueza, e para quase todos, mas em vez de aplaudir esse “milagre”, que tira milhões da condição natural de miséria, os intelectuais preferem condenar a ascensão desigual entre pessoas desiguais.
Em resenha do livro para a VEJA, Joel Pinheiro da Fonseca chama a atenção para a pouca profundidade da crítica de Bauman, e conclui:

Ou seja, ao navegar pelas nuvens, pelo mundo das ideias românticas de como as coisas deveriam ser, os intelectuais acabam preterindo a realidade em troca das utopias igualitárias. O problema é que suas ideias têm consequências normalmente nefastas e justamente para os mais pobres. São eles que sofrem de forma desproporcional com as fantasias dos intelectuais.
 
E os oportunistas de plantão exploram a paixão mais mesquinha do ser humano, que é a inveja, para chegar e se perpetuar no poder, usando as desigualdades naturais como alavanca para seu próprio sucesso individual. Tudo isso graças aos ataques românticos dos intelectuais ao capitalismo.
Rodrigo Constantino