quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Angola: a invenção do ódio (II)

O jornalista Henrique Monteiro (sempre ele) com a sua habitual frontalidade reage à "histeria do editorial" Jogos perigosos da edição de 12 de Novembro do Jornal de Angola, com uma reflexão publicada na sua coluna no Expresso intitulada A vergonha de Angola.

O político José Pacheco Pereira numa nota no seu blog Abrupto qualifica o citado editorial como a "ameaça do costume" e desafia a comunicação social portuguesa a não se deixar intimidar  no tratamento a dar ao desenrolar das investigações criminais.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda Luís Fazenda também toma posição pública.  Em declarações no Parlamento  diz que o regime angolano sente "dificuldades" em lidar com o Estado de direito que vigora em Portugal. 

É clara a desproporção entre o insulto do Jornal de Angola aos portugueses  e a indignação por conta própria de Henrique Monteiro, de Pacheco Pereira ou de Luís Fazenda. Ainda assim, José Ribeiro voltou à carga e afina a pontaria, desta feita para o sector da comunicação social portuguesa, esse mesmo, que tem estado na mira dos mais recentes investimentos da elite angolana em Portugal e desfere novo ataque no artigo Imprensa e liberdades em Portugal . Pelo conteúdo de mais este insultuoso texto do Jornal de Angola é fácil de concluir de que lado está a inveja e o ódio. Apetece dizer "Porque não te calas" José?

Angola: a invenção do ódio (I)

Todos nos lembramos dos insultos que foram proferidos pelos arautos da classe dirigente angolana a Portugal e à imprensa portuguesa, depois de numa conferência sobre desenvolvimento sustentável organizada em 2008 pelo Banco Espírito Santo e o jornal Expresso,  o activista Bob Geldof ter afirmado que Angola era "gerida por criminosos". Geldof dedicou a sua intervenção de cerca de vinte minutos ao tema "Fazer a diferença" em que denunciou publicamente que "as casas mais ricas do mundo estão na zona costeira de Luanda".Video  

Apareceu a dar voz à defesa do bom nome dos políticos de Angola, José Ribeiro, o director do estatal Jornal de Angola. Na sua coluna intitulada "A palavra do director", José Ribeiro afirmou na altura a propósito do eco em Lisboa ao que disse Geldof: "alguns órgãos da imprensa portuguesa fazem gala em propalar mentiras sobre a realidade angolana e difamar os governantes angolanos". "É um hábito que vem de longe e só se justifica pelo ódio ao MPLA, a organização política que derrotou o colonialismo e ajudou a derrubar o regime fascista português". E na sua edição online, o periódico angolano apelidou a comunicação social portuguesa de "quadrilha de abusadores". A resposta no  Jornal de Angola ao que disse Geldof foi reservada para um artigo não assinado intitulado O cómico Geldof e a falsa notícia   .

O então director do Expresso, Henrique Monteiro, qualificou a reacção jornalística de “patética” justificando na altura: "Eles não compreendem a nossa liberdade de expressão." E assinou por sua vez um artigo de opinião Bob Geldof e o Governo de Angola em que disse textualmente: "é com toda a tranquilidade que afirmo: penso que Bob Geldof tem toda a razão." E esclareceu: "os interesses, o petróleo, os diamantes fizeram esquecer a necessidade da democracia, da dignidade pessoal, da entreajuda, do auxílio aos que passam fome e morrem de doenças banais. Angola é um "farwest", é uma terra gerida há tempo demais por gente sem escrúpulos que apenas pensa no seu enriquecimento pessoal. É um país com leis que dependem do estatuto e do dinheiro de cada um."

Passados quase cinco anos instala-se agora nova polémica. A partir da notícia Dirigentes angolanos suspeitos de crimes económicos publicada no dia 10 de Novembro pelo semanário Expresso sobre um inquérito-crime a decorrer no Ministério Público que envolve políticos muito próximos do presidente de Angola,  a consequente avaliação que faz da difusão do facto pelo Expresso o ainda director do mesmo Jornal de Angola, José Ribeiro, num editorial intitulado Jogos Perigosos é de que os portugueses nutrem ódio e inveja de Angola, especificando que "as elites portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente". 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

ANGOLA: Cada palavra é uma semente

«Cada palavra é uma semente»  é o de um dos meus livros preferidos, escrito por Susanna Tamaro. A escritora partilha connosco a utilidade do silêncio, chama-nos de volta ao verdadeiro sentido das coisas e convida-nos a retomar a curiosidade pela beleza inserida no património do universo. Essa beleza que já não vemos nem escutamos...presos que estamos aos prazeres da idolatria.
 
Pois se cada palavra é uma semente, o que pensar das consequências que tem numa comunidade uma ladainha orientada pelo som das palavras INVEJA e ÓDIO.  Sobretudo quando se trata de uma comunidade feita pelo imperativo da língua que a une, para além dos outros laços estabelecidos pelos antepassados, sobre os quais nenhum homem do presente  tem a faculdade de julgar, porque ignora, não esteve lá, não podendo assim substituir-se ao outro pelo sentimento que ele mesmo não experimentou (sendo que o elo da comunicação é o único visível que faz com que a comunidade o seja de facto).
É ler para crer :  Jogos Perigosos e Imprensa e liberdades em Portugal