segunda-feira, 15 de abril de 2013

Só o fim do Euro travará a crise


A queda do Euro está à vista. Nada fará parar a actual crise financeira na Europa se não houver uma medida realmente drástica e essa medida passa pelo fim da moeda única. Contudo não serão os países que se debatem com planos de austeridade sob a protecção europeia e do FMI que irão provocar a queda. Enquanto as análises económicas se entretêm a apostar qual dos países em dificuldade vai romper primeiro com o status quo, a decisão virá de onde menos se espera: da Alemanha.
 
É uma certeza, face à comparação com a situação de um parceiro do seu nível, a Grã-Bretanha, que não aderiu ao Euro nem o irá fazer nunca. A Alemanha chegará à conclusão que ficar por sua conta é menos incómodo e lhe traz mais benefícios do que ter de resolver os problemas de uma parceria desigual.
 
Esta convicção fundamenta-se ainda na observação de uma constante do comportamento social: por muito que os pobres labutem por dar garantias a quem os protege da crise, numa situação em que o rico se veja ele próprio ameaçado, decide sempre isolar-se, pelo temor de lhe pedirem ajuda e ver o seu rendimento diminuído. Aconteceu com os bancos, acontece amiúde em qualquer pequena comunidade como na família por exemplo. E irá acontecer certamente na grande comunidade Europeia, esvaziada há muito de sentido comunitário, porque lhe faltou sempre um elemento realmente comum naquilo que o conceito envolve,  mantendo-se ligada apenas pelo mero interesse negocial, através de um elo pouco consistente, que é o dinheiro.
 
O Euro tem os dias contados e com ele vai por água abaixo o sonho do Velho Mundo restaurar o poder perdido para o Novo Mundo. Resta à Europa salvar ainda algum prestígio, se souber a tempo abdicar com alguma decência dessa ganância do poder.