A queda do Euro está à vista.
Nada fará parar a actual crise financeira na Europa se não houver uma medida realmente
drástica e essa medida passa pelo fim da moeda única. Contudo não serão os
países que se debatem com planos de austeridade sob a protecção europeia
e do FMI que irão provocar a queda. Enquanto as análises económicas se
entretêm a apostar qual dos países em dificuldade vai romper primeiro com o status quo, a decisão virá de onde menos
se espera: da Alemanha.
É
uma certeza, face à comparação com a situação de um parceiro do seu nível, a
Grã-Bretanha, que não aderiu ao Euro nem o irá fazer nunca. A Alemanha chegará
à conclusão que ficar por sua conta é menos incómodo e lhe traz mais benefícios do que ter de resolver os
problemas de uma parceria desigual.
Esta convicção fundamenta-se ainda na observação de uma constante do comportamento social: por muito que os pobres labutem
por dar garantias a quem os protege da crise, numa situação em que o rico se
veja ele próprio ameaçado, decide sempre isolar-se, pelo temor de lhe pedirem ajuda e ver o seu rendimento diminuído. Aconteceu com os bancos, acontece amiúde em qualquer pequena
comunidade como na família por exemplo. E irá acontecer certamente na grande comunidade Europeia, esvaziada há muito de sentido comunitário, porque lhe faltou sempre um elemento realmente comum naquilo que o conceito envolve, mantendo-se ligada apenas pelo mero interesse negocial, através de um elo pouco consistente, que é o dinheiro.
O Euro tem os dias contados e com ele vai por água abaixo o sonho do Velho Mundo restaurar o poder perdido para o Novo Mundo. Resta à Europa salvar ainda algum prestígio, se souber a tempo abdicar com alguma decência dessa ganância do poder.
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