quarta-feira, 6 de novembro de 2013

RENTRÉE
Angola: a invenção do ódio (IV)

Tudo parecia calmo na relação "fraterna" entre Angola e Portugal. Há quase meio ano que não se liam editoriais no Jornal de Angola insultuosos para a generalidade a que os seus jornalistas chamam portugueses. Que o mesmo quer dizer colonos, ainda que numa e noutra designação se incluam preferencialmente duas ou mais gerações de nascidos em Angola ou dos seus descendentes. Para estes em particular, ainda se inventou uma terceira categoria, a de expatriados, sempre que pousam o pé na sua terra, ou dos seus pais e avós. É uma espécie de carimbo de entrada.

O Jornal de Angola chama portugueses, colonos, ou expatriados, consoante a situação de cada grupo visado, no espaço e no tempo, mas todos percebemos que são apenas três formas de  dizer "brancos". De distinguir de uma forma indireta como "persona non grata", que continua a ser para a elite dirigente angolana, cada cidadão não-afro (outra generalidade) que se atreve a imaginar que pode ficar por Angola. Este é o princípio que norteia toda a relação Angola-Portugal. O resto são fait-divers, momentos de entretenimento para a família dirigente de Angola e para quem lhe presta vassalagem.
 
No dia 6 de Outubro a metralhadora do Jornal de Angola saiu da trincheira e voltou a disparar sobre o alvo de sempre, os portugueses, ainda a pretexto de eventuais fugas de informação da Procuradoria Geral da República dos processos em investigação que envolvem algumas figuras de proa da República  Popular (não democrática) de Angola. O título do editorial, que mais parece o de uma crónica de guerra, diz aquilo que o texto procura esconder com mil e uma razões que assistem aos lesados no caso: Criminosos portugueses contra as suas próprias vítimas. No dia 13 de Outubro, novo editorial com mais insultos, desta vez de outro âmbito, tendo na mira o Partido Socialista, especialmente a deputada Ana Gomes, e também Mário Soares e António José Seguro.  Desta vez o título A rainha das zaragatas , atendendo aos factos subjacentes à prosa, faz exactamente o exercício inverso ao do artigo anterior. É subversivo. 

Em Portugal as reações a este tipo de factos políticos seguem ainda aquela velha estratégia de ficarmo-nos pela defesa, tentar amenizar as coisas e ver no que é que dá, com ordem para evitar a todo o custo os efeitos colaterais. Apenas as vozes do costume saíram a terreno. Henrique Monteiro, que sabe muito sobre as artimanhas dos dirigentes de Angola, ou seja, sabe que actos difamatórios com esta veemência nunca serão um acto isolado (outros se lhe haviam de seguir) escreve no dia 15 de Outubro na sua coluna do semanário Expresso  Angola e o medo de dizer, em que exprime livremente o que pensa sobre a natureza das afrontas do Jornal de Angola a Portugal e aos portugueses. E a grande notícia do dia  Eduardo dos Santos anuncia fim da parceria estratégica com Portugal  já não o deverá ter surpreendido.

Daniel Oliveira no mesmo semanário, dois dias depois do inesperado anúncio, insurge-se contra a tentativa de pressão por parte de Angola de silenciar em Portugal vozes "incómodas" para o seu presidente,  em longo artigo intitulado Angola e a parceria do silêncio.

Infelizmente outros jornalistas, alguns  insultados directamente pelo mesmo Jornal de Angola na sua edição do dia 17 de Outubro, num texto hábil e venenoso com o título A fuga dos escriturários , não foram capazes de experimentar a ousadia de uma resposta. O medo de falar  também existe por cá,  como se verifica na análise feita por comentadores com responsabilidade. Honra seja feita  aos que não lhes pagam para estar calados.
 
 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Só o fim do Euro travará a crise


A queda do Euro está à vista. Nada fará parar a actual crise financeira na Europa se não houver uma medida realmente drástica e essa medida passa pelo fim da moeda única. Contudo não serão os países que se debatem com planos de austeridade sob a protecção europeia e do FMI que irão provocar a queda. Enquanto as análises económicas se entretêm a apostar qual dos países em dificuldade vai romper primeiro com o status quo, a decisão virá de onde menos se espera: da Alemanha.
 
É uma certeza, face à comparação com a situação de um parceiro do seu nível, a Grã-Bretanha, que não aderiu ao Euro nem o irá fazer nunca. A Alemanha chegará à conclusão que ficar por sua conta é menos incómodo e lhe traz mais benefícios do que ter de resolver os problemas de uma parceria desigual.
 
Esta convicção fundamenta-se ainda na observação de uma constante do comportamento social: por muito que os pobres labutem por dar garantias a quem os protege da crise, numa situação em que o rico se veja ele próprio ameaçado, decide sempre isolar-se, pelo temor de lhe pedirem ajuda e ver o seu rendimento diminuído. Aconteceu com os bancos, acontece amiúde em qualquer pequena comunidade como na família por exemplo. E irá acontecer certamente na grande comunidade Europeia, esvaziada há muito de sentido comunitário, porque lhe faltou sempre um elemento realmente comum naquilo que o conceito envolve,  mantendo-se ligada apenas pelo mero interesse negocial, através de um elo pouco consistente, que é o dinheiro.
 
O Euro tem os dias contados e com ele vai por água abaixo o sonho do Velho Mundo restaurar o poder perdido para o Novo Mundo. Resta à Europa salvar ainda algum prestígio, se souber a tempo abdicar com alguma decência dessa ganância do poder.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Angola: a invenção do ódio (III)

José Ribeiro do Jornal de Angola voltou a publicar um venenoso editorial contra os portugueses, como reacção à notícia que circulou na imprensa portuguesa e fez manchete no jornal Expresso  de que o PGR angolano José Maria de Sousa está a ser investigado pelo DCIAP por suspeita de fraude e branqueamento de capitais. Quanto ao editorial, o ódio do costume!