Há um novo editorial no Jornal de Angola a insultar os portugueses. O título Vingança de colono diz tudo. Já se estava à espera. Depois da detenção do ex-procurador do Ministério Público Orlando Figueira, por suspeita de ter recebido contrapartidas de milhares de euros para as decisões de arquivamento de processos ligados a altos dirigentes de Angola, tardava a retaliação. Primeiro é pela palavra e depois logo se verá. Se o escândalo tiver como consequência acusações mais graves e mais precisas, lá virão outro tipo de ameaças e retaliações, ao nível do que nos tem habituado o poder que controla Angola. A diferença é que agora já não podem fazer alarde da situação privilegiada que os petrodólares lhes dava há uns meses, pronunciando-se com a arrogância própria de quem se basta a si mesmo, sem precisar de ninguém.
Os tempos são outros. Passam os anos e cada vez fica mais à vista que não há sinal de evolução da parte dos que se julgam donos de Angola e, pior, donos da opinião do povo angolano. Falam como se todos os antepassados e construtores da História de um país devessem alguma coisa a um poder que se instalou e suga até hoje a liberdade das pessoas. Esquecem que é essa mesma História que os irá julgar. E nenhum dos dirigentes do país desde a sua independência verá o seu nome inscrito na mesma página onde figuram Gandhi, Mandela ou Luther King e os respectivos interlocutores, no apelo conjunto às vantagens da reconciliação. É aliás nesta palavra que se fundamenta a prosperidade de muitos povos que passaram pelas vicissitudes da guerra e das divisões. Imaginar dirigentes que o tivessem sabido fazer em Angola e veríamos como hoje todos lá conviveriam bem mais felizes com cultura, modernidade e progresso. Infelizmente, não foi em nada disso, mas no seu contrário, aquilo em que se transformou Angola.
