terça-feira, 27 de outubro de 2015

Angola: A invenção do ódio (VI)

Depois de tantos editorias do Jornal de Angola, a pretexto de todo e qualquer incidente nas relações entre Portugal e Angola, sempre a bater na tecla do ódio e inveja aos portugueses, ainda estava para ser escrito mais um. Este a propósito da visita (devidamente autorizada) do embaixador português em Angola João da Câmara ao jovem activista luso-angolano Luaty Beirão em greve de fome há 34 dias, cuja pretensão é  aguardar em liberdade o julgamento, marcado para 16 de Novembro, em que vai ter de responder, com outros 14 angolanos, por alegada tentativa de golpe de Estado em Angola.
 
José Ribeiro, que assina o editorial De Portugal nada se espera, defende que  «o Governo português, depois de tanto tempo, volta a cair na asneira de se pôr do lado errado» e critica duramente a visita do diplomata português ao cidadão luso-angolano. O editorial é apresentado nos seguintes termos « a ingerência desabrida que Portugal faz nos assuntos da soberania de Angola está a ultrapassar todos os limites», ou seja, tem subjacente uma ameaça. Qual? Que o governo angola corta relações diplomáticas com Portugal? Ou que retirará do nosso país todos os investimentos na banca, nas telecomunicações, na comunicação social ou na Efacec? Ou que irá expulsar de Angola os trabalhadores ou empresas que ali ganham a vida, ao mesmo tempo que prestam a um país sem quadros um enorme favor ? Pois, se a ingerência de Portugal em Angola ultrapassar mesmo todos os limites, ficamos à espera do que acontecerá. Mas sem medo nenhum do Sr Eduardo dos Santos, cujo rendimento dos petrodólares já não é de molde a perturbar-lhe a noção da realidade. A arrogância também tem limites e pode um destes dias ter de se vergar a factos imponderáveis.

domingo, 27 de setembro de 2015

História de Angola

 
 
 
Em preparação para a esperada conferência de paz após a Primeira Guerra Mundial, na primavera de 1917, o Ministério das Relações Exteriores britânico criou um departamento especial responsável pelo planejamento de informações de base que seriam usadas pelos delegados britânicos durante a conferência. Angola (incluindo Cabinda) é o Número 120 em uma série de mais de 160 estudos produzidos por este departamento, a maioria dos quais foi publicada após a conclusão da Conferência de Paz de Paris, em 1919.

Angola (atual República de Angola) era uma colônia portuguesa localizada na costa oeste da África, ocupada primeiramente pelos portugueses no final do século XV. Cabinda, parte de Angola, é um pequeno enclave separado do restante do país por uma faixa de território a norte do rio Congo e que pertencia ao Congo Belga (e que hoje faz parte da República Democrática do Congo), e dava ao Congo maior acesso ao mar. O livro contém seções sobre geografia política e física, história política, condições sociais e políticas, além de condições econômicas. A seção histórica abrange a primeira ocupação portuguesa, as relações entre o reino português e os reinos africanos de Angola e Congo, e a rivalidade comercial e imperial no século XVI entre portugueses e holandeses.

A concorrência entre essas potências europeias devia-se principalmente ao comércio de escravos no Atlântico, do qual a Angola teve grande sofrimento. O estudo registra as tentativas frustradas pelos portugueses no século XIX de construir um império transcontinental que se estendesse de Angola, a oeste, a Moçambique, a leste. A seção econômica destaca o grande potencial de riqueza agrícola da colônia, mas afirma: “Enquanto houvesse tráfico de escravos, o único produto angolano considerado merecedor de atenção do ponto de vista comercial era a mão de obra local...”  Angola foi um dos últimos países africanos a alcançar a independência, finalmente reconhecida por Portugal em novembro de 1975, depois de uma extensa e custosa guerra pela independência.
 
in Biblioteca Digital Mundial - Portugal                                   

 
 
 
 
 
 
 

domingo, 13 de setembro de 2015

A mentalidade anticapitalista de intelectuais inteligentes: o caso “líquido” de Bauman

Revista VEJA, Coluna de Rodrigo Constantino
 

 
Por que intelectuais inteligentes acabam defendendo o socialismo e atacando o capitalismo? Essa pergunta acompanha os pensadores liberais há tempo, pois desde Platão vemos essa tendência impressionante. George Stigler, Ludwig von Mises e Hayek foram alguns dos que tentaram explicar o fenômeno. Recomendo, em especial, A mentalidade anticapitalista, de Mises, assim como o paper de Hayek sobre o assunto.
 
Não é preciso aderir a alguma teoria conspiratória qualquer ou questionar a intenção do intelectual. Ele pode ter os mais nobres ideais, ser inteligente, e ainda assim atacar o capitalismo, o livre mercado, o lucro. Certa ignorância acerca do funcionamento do próprio mercado e da economia explica parte do problema, assim como um viés holístico idealizado daqueles que vivem no mundo das ideias.
 
Parece ser o caso de Zygmunt Bauman, o sociólogo polonês que interpreta o mundo moderno com base em sua “liquidez”. Em livro recentemente publicado no Brasil, ele ataca as desigualdades que o sistema capitalista produz, adotando a premissa falaciosa de riqueza como jogo de soma zero, em que João, para ficar rico, precisa tirar de Pedro.
 
Essa mentalidade marxista está na origem de inúmeros ataques infundados ao livre mercado, de gente que passa a focar apenas nas condições relativas entre indivíduos em vez de analisar o quadro absoluto ou então aquele relativo ao passado. Ou seja, o capitalismo produz muita riqueza, e para quase todos, mas em vez de aplaudir esse “milagre”, que tira milhões da condição natural de miséria, os intelectuais preferem condenar a ascensão desigual entre pessoas desiguais.
Em resenha do livro para a VEJA, Joel Pinheiro da Fonseca chama a atenção para a pouca profundidade da crítica de Bauman, e conclui:

Ou seja, ao navegar pelas nuvens, pelo mundo das ideias românticas de como as coisas deveriam ser, os intelectuais acabam preterindo a realidade em troca das utopias igualitárias. O problema é que suas ideias têm consequências normalmente nefastas e justamente para os mais pobres. São eles que sofrem de forma desproporcional com as fantasias dos intelectuais.
 
E os oportunistas de plantão exploram a paixão mais mesquinha do ser humano, que é a inveja, para chegar e se perpetuar no poder, usando as desigualdades naturais como alavanca para seu próprio sucesso individual. Tudo isso graças aos ataques românticos dos intelectuais ao capitalismo.
Rodrigo Constantino

sábado, 25 de julho de 2015

Caeiro II

O poeta da Natureza, do Sensacionismo, substitui o pensamento pela sensação. Mas  Jacinto Prado Coelho explica como na poesia de Alberto Caeiro o poeta e o pensador não se excluem, mas coexistem, de uma forma muito peculiar: "há dois Caeiros, o poeta e o pensador, sendo o primeiro que em teoria se desdobra no segundo".

Caeiro evidencia na sua poesia que o poeta não deve pensar sobre o que vê, apenas mostrar o que vê ("Eu não tenho filosofia: tenho sentidos") e que o pensador está para além do poeta. Caeiro tenta colocar em planos diferentes  olhar e raciocinar, ou então, confunde-os ("Penso com os olhos e com os ouvidos...").

O poeta preocupa-se com as sensações puras, isto é, para ele, pensar é sentir ("pensar uma flor é vê-la e cheirá-la"). E o que é sentir para Caeiro? É excluir a razão das coisas, ("Procuro dizer o que sinto sem pensar o que sinto"). O poeta do objetivismo afirma-se, ao dizer que se deve recusar a visão pessoal no que se expõe.

O anti-pensador tem uma filosofia, pois indica um sentido para achar a verdade ("E olho para as flores e sorrio.../Não sei se elas me compreendem/ Nem se eu as compreendo a elas/Mas sei que a verdade está nelas e em mim/E na nossa comum divindade/De nos deixarmos ir e viver pela Terra"). Caeiro é assim ultrapassado pelo pensador (E sorrindo vagamente como quem não compreende o que diz /E quer fingir que compreende).

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Caeiro

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
 
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
 
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
 
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!
 
Alberto Caeiro