Depois de tantos editorias do Jornal de Angola, a pretexto de todo e qualquer incidente nas relações entre Portugal e Angola, sempre a bater na tecla do ódio e inveja aos portugueses, ainda estava para ser escrito mais um. Este a propósito da visita (devidamente autorizada) do embaixador português em Angola João da Câmara ao jovem activista luso-angolano Luaty Beirão em greve de fome há 34 dias, cuja pretensão é aguardar em liberdade o julgamento, marcado para 16 de Novembro, em que vai ter de responder, com outros 14 angolanos, por alegada tentativa de golpe de Estado em Angola.
José Ribeiro, que assina o editorial De Portugal nada se espera, defende que «o Governo português, depois de tanto tempo, volta a cair na asneira de se pôr do lado errado» e critica duramente a visita do diplomata português ao cidadão luso-angolano. O editorial é apresentado nos seguintes termos « a ingerência desabrida que Portugal faz nos assuntos da soberania de Angola está a ultrapassar todos os limites», ou seja, tem subjacente uma ameaça. Qual? Que o governo angola corta relações diplomáticas com Portugal? Ou que retirará do nosso país todos os investimentos na banca, nas telecomunicações, na comunicação social ou na Efacec? Ou que irá expulsar de Angola os trabalhadores ou empresas que ali ganham a vida, ao mesmo tempo que prestam a um país sem quadros um enorme favor ? Pois, se a ingerência de Portugal em Angola ultrapassar mesmo todos os limites, ficamos à espera do que acontecerá. Mas sem medo nenhum do Sr Eduardo dos Santos, cujo rendimento dos petrodólares já não é de molde a perturbar-lhe a noção da realidade. A arrogância também tem limites e pode um destes dias ter de se vergar a factos imponderáveis.
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