sábado, 26 de maio de 2012

Caso Público/Relvas

Ora aí está uma história ilucidativa. O ministro pede desculpa ao Jornal porque se indignou e chamou a atenção da editora de política para o facto de não ter a certeza que a jornalista que tem em mãos o caso que o relaciona com o chefe das secretas seja isenta! Diz mesmo que pode tornar público esse facto.

E que facto é? Que a jornalista mantém relação estreita com adversário político do ministro. Para a opinião pública é fácil de julgar: a chave está em saber quem é esse adversário. Para a ERC é difícil, pelo menos 10 dias para dar um parecer. Isto é Portugal «de pernas para o ar».

Afinal, a história é simples
Se o ministro para se defender da notícia que pode revelar contradições no seu depoimento no Parlamento faz um telefonema a sensibilizar quem de direito no jornal a não publicá-la, porque não aproveitou a editora de política para esclarecer com o ministro de que contradição se trata? Se o ministro em desespero de causa admite que está a ser perseguido (ou pressionado) pelo teor das notícias e admite a hipótese da jornalista por aproximação política a um elemento da oposição com quem tem uma relação pessoal o querer deliberadamente incomodar, então isto não é ameaça à revelação de dados pessoais de ninguém. É a pura constatação de um facto de eventual antipatia política. Em última análise até podia apenas dizer: ponha-se no meu lugar, gostaria que se soubesse a sua vida pessoal, com quem se relaciona, os sms que recebe? Não seria ameaça. 

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