terça-feira, 21 de junho de 2011

Oportunidade perdida

O presidente do PSD e primeiro-ministro indigitado Pedro Passos Coelho lamentou que a maioria dos deputados tenha chumbado a candidatura de Fernando Nobre à presidência do Parlamento. «Tenho pena que o Parlamento não tenha aproveitado esta oportunidade para dar esse passo que nunca foi dado até hoje, que era o de ter um verdadeiro independente a presidir ao Parlamento», declarou. (Fonte: Lusa)

1 Um coro de vozes bem afinado apressou-se a vir a público interpretar a não eleição de Fernando Nobre para presidente do Parlamento como 'a primeira derrota política de Pedro Passos Coelho'...à espera, portanto, da segunda, da terceira, etc. O princípio que move tal grupo é persecutório. 

2 Ao olhar para as centenas de deputados na grande sala, conversando aqui e ali uns com os outros (não certamente sobre o momento crítico da nação) veio-me à memória uma passagem (mais uma) do livro O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço, já citado neste blogue sobre o nosso (tão nosso) Ser Português, quando diz:

«Os portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe...»


3 E a propósito de 'oportunidade perdida', entre textos e textos que se nos oferecem na pesquisa do tema, o que achei mais de acordo com o sentido que Passos Coelho quis dar ao infeliz espectáculo dado pela Assembleia da República é esta reflexão de Dalai Lama:

«Por um lado, ter um inimigo é muito ruim. Perturba nossa paz mental e destrói algumas de nossas coisas boas. Mas, se vemos de outro ângulo, somente um inimigo nos dá a oportunidade de exercer a paciência. Ninguém mais do que ele nos concede a oportunidade para a tolerância. Já que não conhecemos a maioria dos cinco bilhões de seres humanos nesta terra, a maioria das pessoas também não nos dá oportunidade de mostrar tolerância ou paciência. Somente essas pessoas que nós conhecemos e que nos criam problemas é que realmente nos dão uma boa chance de praticar a tolerância e a paciência.»

Felizmente para Portugal que Pedro Passos Coelho entende a política assim!

Maria

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